sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Espetáculo "Matrimônio"

Como espetáculo de formatura dos atores André e Juliet não se pode questionar: sua atuação foi precisa, forte, viva. Atuação que somente se enfraquece no meio do terceiro ato, junto com todo o espetáculo. Digo "somente" devida à complexidade do texto montado. Aliás, a grande "polêmica" do espetáculo foi o texto e sua "dissolvição em si mesmo". O primeiro ato apresenta cenários, figurinos e elementos que estarão de acordo com o contexto/texto por toda a apresentação. O diálogo do casal e sua relação têm pinceladas de "teatro do absurdo"; não me parece pretender o questionamento político dessa escola, mas aborda a relação homem - mulher de uma forma estranha/verossímil, usando o humor natural das atitudes absurdas para conquistar o público. Com um entre-atos demorado, que provoca curiosidade, o segundo ato choca e atrai. Com efeito catártico, a cena de "tragédia grega expressionista" do segundo ato leva o espectador ao terror e a piedade da situação. Depois de nova mudança de ambiente, o terceiro ato começa dando esperanças ao público de um desfecho para as complicadas situações expostas. No entanto, ao invés de explicar a, já nesse momento, maçante história daquele relacionamento, o terceiro ato volta ao absurdo dos diálogos, intensificando a incompreensão do que se sucede. Essa confusão soma-se ao pesado ambiente criado em cena, desestimulando o público de sua apreciação. Nesse ponto vi a mão do diretor escolhendo a abordagem densa do diálogo absurdo que, como no primeiro ato, poderia ter pinceladas de humor, reconquistando assim a atenção dos espectadores. Com tudo, em conversa com o dramaturgo argentino autor da obra, Daniel Guebel, o mesmo afirmou que o diretor/professor Pablo Canalles captou a essência do terceiro ato, provocando a vontade de "ir embora" no público. Se o autor queria isso mesmo ou, ao ver sua obra (que acreditava "incenável') percebeu essa situação, não dá para saber. Aproveitando a concordância com a opinião do dramaturgo, manifesto a idéia que a música é utilizada somente como reforço dos estados psicofísicos, pondo-se redundante e perdendo a oportunidade de criar contrapontos que  poderiam mexer com a percepção da platéia.

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