Várias vezes conversamos entre amigos teatreiros como faz falta uma crítica teatral especializada em Santa Maria. Vai continuar fazendo falta. Minha especialização em crítica é no cotidiano de chato/anti-maria-vai-com-as-outras, mas, na falta de outros, - Vou eu mesmo.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Espetáculo "Quando fecho os olhos"
Imagens, calmas imagens ao som embreagador da banda. Precisão na movimentação dos atores, atores/bailarinos. Para "alguéns" com uma visão aberta do fazer artístico, realmente foi uma composição contínua de beleza e significância não literal, mas com lógicas de fácil percepção individual. Para outrem, com uma visão mais "clássica" de arte, pode ter ocorrido o estranhamento da linguagem de performance ou do tão questionado ´Teatro Pós-dramático". Ou, pode-se ter aflorado um começo de recepção artística em que a sensação provocada é tão interessante como a percepção lógica de fatos conflitantes que resultam numa solução. Como me considero um dos "alguéns", vi o espetáculo como uma obra de arte com qualidades provocadoras, especialmente o impulso corpóreo do elenco que, com sua limpeza espacial, sua energia visceral/contida (transpassando a dedicação de criadores, produtores, buscadores, que se entregaram ao projeto), carregaram o público para aquele universo de poesia visual/sonora em que entramos e desejávamos ficar. Outra qualidade provocadora é o rock da banda "Rinoceronte". Era rock, leve, acompanhava o todo, não sou músico, não entendo de afinações, mas o que senti foi unidade, força, um acompanhamento vivo do ato em cena que poderia, exatamente por sua qualidade, ultrapassar a ação cênica dos atores. O terceiro grande elemento positivo do espetáculo foi o cenário/objeto: estrutura tubular que era modificada, montada e desmontada em cena pelos atores formando figuras, composições, imagens e significãncias que prendiam a ateçãos do espectador/curioso. "Ah! Era isso que eles estavam montando, que legal." ("legal" não pejorativo) . O cenário foi uma solução simples e eficaz, que,em composição com a bem feita iluminação do "Bando", provocou a enxuta magia visual. Luz "bem feita" porque, talvez, tenha ficado um pouco presa, assim como a música. Essas qualidades do palco prejudicaram as intervenções dos vídeos nos monitores adjacentes, que , talvez por seu tamanho e pela distância do público não carregaram a significância que poderiam na composição do espetáculo. Outro elemento que se perdeu em meio às figuras cênicas foram os textos ditos pelos atores. Infelizmente, a energia e precisão de sua expressão vocal, em sua maior parte, não acompanharam as de seus corpos. Ao fazer isso, os pensamentos e a poesia contida nos textos se perderam em meio a músicalidade visual/sonora estabelecidas desde o início. Finalizo com o que para mim, foi o maior defeito do espetáculo e, ao mesmo tempo, a maior pessoalidade opinativa: O espetáculo foi muito curto. Mesmo sendo uma soma de poesias artísticas há, como numa peça de teatro "comum", um crescente sensorial, de imersão na obra, que leva o espectador ao lúdico coletivo daquele ato que é interrompido abruptamente como um intervalo televisivo. Porém, não volta, não segue, não termina. E não se pode dar aquela desculpa de "Deixamos um gostinho de quero mais". Eu queria mais naquele momento em que estava submergido naquilo que acontecia no palco, não depois de olhar o relógio e perceber que se passaram apenas quarenta e cinco minutos de expressão e dedicação de mais de vinte artístas que ousaram provocar sensações, reações e reflexões de uma maneira diferenciada, artística ...
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uma critica bem feita, sem preconceitos e fundamentada em um coração e uma mente aberta, que pretende somar, discutir, conversar sobre o ato artístico e todo o esforço que o envolve soa como elogio a meus ouvidos. Muito obrigado por suas palavras, elas são de incomensurável valia!
ResponderExcluirQue texto legal, Régis. Mesmo não sendo da área de vocês, concordo com vários pontos também. Legal esse blog. Vamos criticar, hahaha. bj
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